A obtenção de crédito por parte das empresas é uma forma de suprir suas necessidades, principalmente aquelas emergenciais. A questão que aflige os gestores financeiros é sobre como escolher, de fato, a melhor opção de crédito.

Uma escolha ruim pode acabar trazendo mais problemas que soluções.

Neste post, analisaremos como é feita a contratação de crédito, os momentos certos para fazer isso, as diferentes opções disponíveis e quais delas efetivamente são mais vantajosas para a empresa.

A contratação de crédito

Para a obtenção de crédito, é necessário realizar uma contratação que deve ser feita em instituições financeiras, como os bancos. A necessidade de contratar créditos é resultado da falta de capital de giro suficiente para manter a empresa operante ou para investir em seu crescimento.

As instituições financeiras costumam oferecer uma linha de crédito especial para as empresas: o crédito empresarial. Nesse caso, geralmente são oferecidas condições especiais, como maiores prazos e juros mais acessíveis.

A contratação de crédito é uma forma de manter a empresa competitiva perante um mercado cada vez mais concorrido e um público consumidor cada vez mais esclarecido e exigente. Mas é preciso tomar cuidado ao contratar crédito, pois ele precisa ser uma solução, e não um agravante para o problema.

Se o gestor, por exemplo, desconsidera os juros, corre o risco de ficar endividado demais, ameaçando, assim, a capacidade financeira da empresa e até sua sobrevivência. Uma empresa que deve muito e não tem condições de pagar certamente não tem nada de competitiva. Por isso, a obtenção de crédito deve ser bem planejada antes de ser efetivada. É preciso avaliar até que ponto essa medida vai ajudar a empresa a resolver seus problemas com eficiência

Opções de obtenção de crédito

Existem diferentes formas de obtenção de crédito. Além das opções específicas para empresas, é possível contratar créditos como pessoa física e investir no negócio, contudo, neste caso, será uma obtenção de crédito comum, sem direito a possíveis privilégios.

Nesse mercado, há opções diversas para quem deseja ter dinheiro para investir no estabelecimento e torná-lo melhor. Entre algumas escolhas disponíveis, estão:

●crédito pessoal;

●crédito pré-aprovado;

●leasing;

●financiamento de capital de giro;

●crédito para investimento fixo ou misto, entre outras possibilidades.

Contudo, nem todas as escolhas são convenientes, podendo trazer despesas extras e questões que pedem atenção redobrada.

A securitização de contas a receber surge como uma oportunidade conveniente, segura e vantajosa, permitindo que o empreendimento chegue a bons resultados. Recorrer à opção certa não apenas contribui para que o negócio tenha o dinheiro para aplicar, mas favorece o pagamento, evitando um endividamento desproporcional.

A antecipação de recebíveis

Vamos dedicar um tópico especial a essa forma de obtenção de crédito, que, pouco a pouco, vem se tornando mais recorrente entre as empresas de diferentes portes.

Nessa linha de crédito empresarial, os riscos envolvendo a instituição financeira também são menores, e, consequentemente, a empresa usufrui da vantagem de pagar juros mais baixos.

A antecipação de recebíveis consiste no recebimento adiantado de títulos que os clientes deverão pagar em um prazo determinado.

Os títulos podem ser cheques e duplicatas. Como se trata de um direito da empresa (os clientes estão em débito e devem pagar), os riscos são classificados como médios, principalmente quando se trata de clientes que costumam pagar pontualmente suas dívidas.

Como essa possibilidade funciona?

Alguns bancos costumam adiantar recebíveis. Caso, no prazo definido, o pagamento da dívida não seja efetuado pelo cliente, o banco tem o direito de contatar a empresa para receber a restituição do valor que foi antecipado.

Contudo, outras instituições, inclusive as que atuam online, também antecipam recebíveis e, geralmente, cobram juros ainda menores que os bancos.

Existe também a possibilidade de a instituição comprar os títulos por um valor inferior ao que eles valem. Nesse caso, ela assume completamente os riscos pelo recebimento da dívida.

Algumas instituições adquirem esses títulos com o objetivo de formar fundos e vendê-los aos investidores. São os fundos de investimento em direitos creditórios (FIDCs).

Os bancos, por sua vez, não realizam a compra de duplicatas e cheques, sendo esse um serviço prestado exclusivamente por instituições especializadas em FIDCs.

A antecipação de recebíveis é uma forma de obtenção de crédito que deve ser levada em conta pela empresa no momento em que ela julgar conveniente realizar empréstimos para capital de giro e compra de equipamentos.

Quais são as vantagens dessa modalidade?

Como dito, escolher a obtenção de crédito adequada é fundamental para que o empreendimento não termine com uma dívida que comprometa os seus resultados. Com o surgimento da securitização, é possível aproveitar diversas vantagens.

Entre as questões relevantes, estão:

Redução dos juros

Uma vez que um cliente adquire uma dívida junto a uma empresa, ele é obrigado a pagar. Se não o fizer pontualmente, poderá ser cobrado, dentro das possibilidades da Justiça. Com isso, não se trata de um dinheiro perdido para o negócio, havendo o mínimo de segurança nesse sentido.

Isso diminui os riscos da operação — e quanto menor é esse elemento, menor é a oneração sobre a oferta de crédito. Portanto, a principal vantagem de recorrer à securitização é a redução dos juros, que são o fator que mais pesa durante a devolução do empréstimo.

Diminuição da burocracia

Para conseguir um financiamento em um banco, é comum ter que passar por um longo processo burocrático. Em geral, é necessário apresentar uma série de documentos e relatórios financeiros do empreendimento.

Além de tudo, pode acontecer de o dinheiro obtido ter que ser usado em funções específicas que não têm a ver com os interesses do negócio. Quando se fala em empréstimos pessoais, os resultados podem ser ainda piores.

Toda essa burocracia compromete a atuação empresarial, já que o estabelecimento se torna menos dinâmico e pode ficar em apuros. Com a antecipação de recebíveis, esse processo é muito menos complexo, favorecendo a resposta, a obtenção de crédito e os resultados.

Facilitação do planejamento

Quando o negócio antecipa recebíveis, ele receberá um montante que já é dele, desconsiderando as situações de inadimplência. Há um desconto referente às taxas da transação, mas, no geral, trata-se apenas de uma mudança nos prazos do dinheiro.

Em termos de ferramentas financeiras, é como adiantar um fluxo de caixa que, de qualquer forma, já faz parte da realidade do empreendimento.

Obter crédito externamente é diferente. Ao fazer isso, é necessário reestruturar toda a projeção de fluxo de caixa, pois há um novo pagamento que deve constar nas despesas.

Antecipar os recebíveis, portanto, é uma forma de não prejudicar o planejamento, ajudando a sua organização.

Preservação da saúde financeira

Em um momento de crise ou em situações atípicas, é normal precisar recorrer à obtenção de crédito. Isso faz parte da realidade de quase toda empresa, mas ações pouco planejadas podem levar ao fechamento do negócio.

Uma taxa de juros muito elevada, por exemplo, implica em um custo efetivo total (CET) ampliado. Com isso, o estabelecimento paga muito mais do que toma, o que contribui para o desequilíbrio financeiro.

Por meio da securitização de dívidas, pode-se evitar os efeitos dos custos excessivos, bem como da desorganização causada por novas dívidas. Assim, o empreendimento tem maior controle sobre a saúde financeira, o que diminui as chances de ele se ver em novos apuros.

Melhora da percepção de investidores

Muitas vezes, um negócio precisa de apoio para crescer. Especialmente no universo das startups, contar com a ajuda de outros sócios e investidores é importante para escalar o empreendimento e atingir níveis melhores.

Porém, a intenção de qualquer investidor é ganhar. Sendo assim, é feita uma análise criteriosa sobre cada organização. Caso haja um alto nível de endividamento nela, é possível que seja preterida em relação a outra, perdendo competitividade.

Por isso, recorrer à antecipação dos recebíveis é um caminho para melhorar essa performance. Com as contas em maior equilíbrio entre injeção e endividamento, há melhor desempenho junto aos investidores e maiores chances de obter os aportes.

Aumento da competitividade

É preciso considerar dois fatores. O primeiro é que praticamente toda empresa vai precisar recorrer à obtenção de crédito — ao menos, aquelas que desejam crescer. O segundo é que a forma como esses recursos são obtidos gera consequências diretas na atuação do negócio.

Para entender melhor, imagine ter que recorrer a um financiamento bancário tradicional. Isso significa perder tempo e pagar mais juros, o que acarreta ter menos dinheiro ao final e dinamismo reduzido.

Já com a securitização de contas a receber, a atuação é muito mais dinâmica e permite o aproveitamento de ótimas oportunidades, como negociar condições melhores com o fornecedor ou evitar multas por não ter as despesas e obrigações em dia.

Como consequência, o empreendimento consegue se destacar e tem maiores chances de sucesso. Eventualmente, o fluxo de caixa pode entrar em um estado de equilíbrio tão intenso que recorrer a essa possibilidade deixa até de ser necessário.

A importância da análise de crédito

Um dos passos mais importantes quando se trata de obtenção de crédito é a análise de crédito que as instituições financeiras costumam efetuar antes de efetivar a contratação. Para elas, essa medida representa parte de sua política de gerenciamento de riscos.

A maioria das instituições financeiras não libera crédito para pessoas com nome inscrito no SPC, Serasa ou outro órgão de proteção ao crédito. E aquelas que fazem isso geralmente aplicam taxas de juros maiores, por causa do risco.

Considere que, se sua empresa já vive cheia de débitos atrasados, contratar um empréstimo a juros muito altos dificilmente vai ser uma ajuda efetiva. Vender as dívidas de seus clientes, por outro lado, pode ser uma solução.

O gestor financeiro precisa considerar que fazer dívidas maiores para honrar dívidas menores não faz o menor sentido, pois a empresa continuará mergulhada em débitos acima de suas possibilidades. Não é essa a finalidade ao se contratar crédito: a intenção deve ser se libertar definitivamente do saldo negativo, e não trocar algumas dívidas por outras e manter o ciclo de endividamento.

Vale lembrar que uma empresa pode fazer portabilidade de suas dívidas de uma determinada instituição financeira para outra, pagando juros menores. É uma alternativa a ser considerada quando uma empresa já está com o nome sujo e não consegue obter crédito em bancos e outras entidades.

Quando contratar créditos

Como já foi dito, independentemente da forma escolhida para conseguir crédito, essa decisão deve ser planejada, e não assumida de maneira irresponsável.

Antes de contratar crédito, é importante que o gestor financeiro considere outras possibilidades. Primeiramente, é necessário avaliar as finanças empresariais, para ter certeza de que, realmente, se pode arcar com um empréstimo.

Também é fundamental analisar no que o dinheiro será aplicado — conforme a finalidade, é possível encontrar soluções mais viáveis. Por exemplo, se a empresa necessita de uma determinada máquina, talvez o leasing seja uma boa solução. Se for necessário efetuar o pagamento dos funcionários, pode-se conversar francamente com eles para entrar em um acordo e até conseguir empréstimo com algum amigo ou parente.

O importante é que, antes de tomar a decisão para contratar o crédito, sejam aventadas outras possibilidades. Pode-se mesmo vender alguma coisa do patrimônio da empresa para levantar o dinheiro necessário.

Também pode-se recorrer ao corte de gastos para otimizar o fluxo de caixa, desde que a qualidade dos serviços e dos produtos não seja prejudicada.

Não esqueça que todo empréstimo precisa ser devolvido com juros. No caso de não desejar envolver-se com juros, pode-se procurar de imediato a venda dos títulos a receber e a antecipação desses recebíveis com uma instituição financeira confiável.

Veja situações em que contratar créditos pode ser realmente uma necessidade:

  • pagamento da folha de funcionários que já está atrasada: para não correr o risco de perder talentos e ficar sem trabalhadores suficientes para suprir as necessidades da empresa, vale a pena resolver o mais rapidamente possível essa situação;

  • pagamento de aluguel em atraso de alguma máquina, equipamento ou veículo;

  • pagamento atrasado de fornecedores (sem fornecedores, a empresa terá mais dificuldades de se manter no mercado);

  • pagamento dos dividendos aos acionistas (empresa societária);

  • pagamento de diferentes passivos (quitação de diversas contas atrasadas há muito tempo e que podem comprometer seriamente a empresa com outras organizações);

  • pagamento de tributos atrasados.

É importante tomar cuidado com a gestão fiscal e evitar que a empresa fique em dívida com a Receita Federal, com a SEFAZ e com outras entidades do governo. A sonegação é crime grave, e, hoje em dia, o fisco dispõe de recursos eficientes para detectar fraudes. É muito melhor pagar em dia impostos e taxas do que, depois, ser obrigado a pagar multas pesadas e juros altos.

Além disso, uma empresa que tenha ficado em débito com os órgãos governamentais ou que tenha, em algum momento de sua existência, praticado a sonegação fiscal fica sujeita a um controle mais rígido por parte da Receita Federal, o que, por si só, já é uma grande desvantagem.

Para calcular com exatidão a disponibilidade do capital de giro, é possível aplicar uma fórmula relativamente simples: CGL = AC – PC, em que:

  • CGL é o capital de giro líquido (aquele que está realmente disponível);

  • AC é o ativo circulante;

  • PC é o passivo circulante.

O ativo circulante é o valor disponível no caixa, na conta em banco, nos investimentos, nos bens armazenados em estoques, nas contas a receber (como títulos de duplicatas e cheques).

Já o passivo circulante é o valor total relativo às dívidas da empresa, como pagamento a fornecedores, folha de pagamento de funcionários, empréstimos, encargos sociais, tributação e assim por diante.

O AC e o PC devem ser considerados dentro de um período máximo de um ano. Sempre que o passivo circulante superar o ativo circulante (AC < PC), é sinal de que as finanças empresariais não estão boas e de que buscar meios de obtenção de crédito pode ser uma boa solução.

A questão dos juros

Os juros podem se tornar uma verdadeira bola de neve na vida de uma empresa. Quando o gestor não leva isso em consideração, pode assumir compromissos que vão além do potencial financeiro, inibindo seu crescimento e tornando-a significativamente menos competitiva dentro do mercado.

Em 2017, a taxa de juros está em queda, e as perspectivas são de que, ao final do ano, a Selic chegue a 7,5%. Contudo, para pessoas que solicitam empréstimos (sejam pessoas físicas ou jurídicas), essa redução ainda não se faz sentir com tanta relevância.

Os dados do Banco Central mostram percentuais interessantes de analisar. No mês de junho de 2016, com a taxa Selic oferecendo um percentual anual de 14,25%, as taxas de juros para empréstimos consignados giravam em torno de 29,4% ao ano (2,2% ao mês). Vale lembrar que essa linha de crédito é a que oferece as menores taxas de juros.

Em 2017, no mês de junho, o juro básico era de 10,25%. No final de julho, esse percentual diminuiu para 9,25%. O consumidor tem acesso, na boca do caixa, a uma taxa de juros de 2% ao mês (27,4% a.a.).

Para o crédito sem garantia, a redução na taxa de juros foi maior. De 128,2% a.a., a taxa de juros caiu para 125% a.a. (ou seja, baixou de 7,1% ao mês para 7% ao mês). Claro que ainda é uma taxa alta para uma pessoa assumir.

Para veículos, a taxa média caiu de 26% a.a. para 24% a.a. (1,9% a.m. para 1,8% a.m.), considerando o mesmo intervalo de tempo (junho 2016/junho 2017).

No caso dos imóveis, financiamentos com recursos da poupança e FGTS apresentaram uma redução na taxa média de 11,2% a.a. para 9,2% a.a. (0,9% a.m. para 0,7% a.m.).

O cheque especial e o cartão são modalidades de crédito cujos juros são os maiores do mercado, o que nem sempre é viável para empresas.

Pode-se dizer, portanto, que a oferta de crédito ainda tem taxas altas de juros, mas os bancos estão oferecendo linhas de crédito para renegociação. Quando se faz empréstimo com garantia, os juros podem chegar a somente 1% a. a. O que importa é ter cuidado para não se assumir juros maiores ou mesmo equivalentes aos das dívidas originais.

No caso de antecipação de recebíveis, existe uma fórmula básica para o cálculo dos juros. A taxa de recebimento antecipado incide sobre o valor líquido da negociação ou da parcela. Essa taxa, embora mensal, é calculada conforme a taxa diária (taxa mensal/30).

Considere, por exemplo, uma venda em 3 vezes sem juros. A primeira parcela será recebida pela empresa no prazo de 30 dias, a segunda, no prazo de 60 dias, e a terceira, no prazo de 90 dias. É preciso considerar a taxa de MDR (Merchandising Discount Rate), cobrada por instituições financeiras em cima de uma determinada operação.

Em uma venda dividida em 3 parcelas com valor bruto de R$ 500,00 e MDR de 3%, tem-se um valor líquido de R$ 498,50. A taxa de antecipação (RAV) é de 2%. O cálculo será feito assim:

  • Sem RAV, 3 parcelas de R$ 166,17;

  • 1ª parcela: (RAV x 1) x 166,17 = 2% x 166,17 = R$ 162,85;

  • 2ª parcela: (RAV x 2) x 166,17 = 4% x 166,17 = R$ 159,52;

  • 3a parcela (RAV x 3) x 166,17 = 6% x 166,17 = R$ 156,20;

  • Total do valor recebido com RAV = R$ 478,57.

Uma boa vantagem é que a prática de antecipação de recebíveis contorna com eficiência o impacto negativo que os juros costumam causar no caixa da empresa. Um recebimento descontado reflete menos negativamente nas finanças que o pagamento recorrente com juros embutidos.

A obtenção de crédito é uma forma de resolver problemas financeiros ou alavancar o desenvolvimento do negócio. Porém, nem sempre é viável recorrer aos empréstimos bancários. Deve-se considerar sempre outras possibilidades, como redução de custos, venda de algum bem, renegociação de valores, antecipação do pagamento dos clientes (oferecendo descontos, por exemplo) e assim por diante.

É preciso valorizar as formas de obtenção de crédito menos tradicionais, como antecipação de recebíveis, principalmente por meio da securitização (venda das dívidas). Essas formas são mais interessantes devido aos juros menores e à menor burocracia que envolvem.

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